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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias I Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz - Otávio Roth

Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz 


Passarinho na janela,
pijama de flanela,
brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado,
cheirinho de mato molhado,
disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã,
drops de hortelã,
grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso,
jogar pedrinha no poço,
um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa,
pisar em tapete persa,
eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão,
dias quentes de verão,
descer pelo corrimão.

Almoço de domingo,
revoada de flamingo,
herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim,
lacinho de cetim,
terminar o livro assim.


Um abraço, equipe Agora sim!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Parabéns Professores e Professoras!!!


Tarefa difícil, mas não impossível, tarefa que pede sacrifício incrível! 

Tarefa que exige abnegação, tarefa que é feita com o coração! 

Nos dias cansados, nas noites de angústia, nas horas de fardo, de tamanha luta, 

chegamos até a questionar: Será, Deus, que vale a pena ensinar? 

Mas bem lá dentro responde uma voz, a que nos entende e fala por nós, a voz da nossa alma, 

a voz do nosso eu: – Vale sim, coragem! 

Você ensinando, aprende também. 

Você ensinando, faz bem a alguém, e vai semeando nos alunos seus, 

um pouco de PAZ e um tanto de Deus.


Parabéns a nós professores e professoras!!! 

Um abraço, equipe Agora sim!

sábado, 12 de outubro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias | Aula de leitura, Ricardo Azeredo


Aula de leitura


A leitura é muito mais

do que decifrar palavras
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender

vai ler nas folhas do chão
se é outono ou verão;

nas ondas soltas do mar
se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa
se trabalha ou se é à-toa

na cara do lutador,
quando está sentindo dor;

vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;

e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;

e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;

e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou se vai lento;

e também no calor da fruta,
e no cheiro da comida,

e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,

e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,

vai ler nas nuvens no céu,
vai ler na palma da mão,

vai ler até nas estrelas,
e no som do coração.

Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos tem segredos
difíceis de decifrar.

Ricardo Azeredo

Um abraço, equipe Agora sim!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias | Cecília Meireles

Leilão de Jardim

Romero Britto

Quem me compra um jardim 
com flores?

borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,

ovos verdes e azuis 

nos ninhos?

Quem me compra este caracol?

Quem me compra um raio de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua canção?

E o grilinho dentro do chão?

(Este é meu leilão!)

Cecília Meireles

Um abraço, equipe Agora sim!

sábado, 5 de outubro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias | Isto é um poema que cura os peixes



Um poema

é quando a gente sente o céu na boca,
é quente como um pão
que se come é nunca termina.

Um poema
é quando a gente escuta 
bater o coração das pedras,
quando as palavras batem asas,
é uma canção na prisão.

Um poema
são palavras de ponta-cabeça
e, opa!, o mundo fica novo.

Jean-Pierre Siméon.

Um abraço, equipe Agora sim!
Todos os direitos reservados a Editora SM Brasil

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias | Maria vai com as outras

Era uma vez uma ovelha chamada Maria. 
Aonde as outras ovelhas iam. Maria ia também. 
As ovelhas iam para baixo. Maria ia também. 
As ovelhas iam para cima. Maria ia também. 
Maria ia sempre com as outras.
Um dia, todas as ovelhas foram para o Pólo Sul. Maria foi também. 

Ai! Que lugar frio! 
As ovelhas pegaram uma gripe!!! Maria pegou uma gripe também. Atchim!
Depois, todas as ovelhas foram para o deserto. Maria foi também. 

Ai que lugar quente! 
As ovelhas desmaiaram. Maria também. Uf!Puf!
Um dia todas as ovelhas resolveram comer salada de jiló. Maria comia também. Que horror!

 Foi, quando, de repente, Maria pensou: “Se eu não gosto de jiló, por que é que eu tenho de comê-lo?” 
Maria pensou, suspirou, mas continuou fazendo o que as outras faziam. 
Até que as ovelhas resolveram pular do alto da montanha para dentro da lagoa. 
Todas as ovelhas pularam. 
Pulava uma ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra, quebrava o pé e chorava: mé!
E assim, quarenta e duas ovelhas pularam, quebraram o pé e choraram: mé! mé!
Chegou a vez de Maria pular. 

Ela deu uma requebrada, entrou num restaurante e comeu uma feijoada.
Agora, mé, Maria vai para onde caminha o seu pé.

( Livre Adaptação de Maria-vai-com-as-outras de Sylvia Orthof)

 Um abraço, equipe Agora sim!

domingo, 29 de setembro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias

As Cem Linguagens da Criança (Loris Malaguzzi) 


A criança
é feita de cem.
A criança tem
cem mãos
cem pensamentos,
cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem
modos de escutar
as maravilhas de amar.
Cem alegrias
para cantar e compreender.
Cem mundos
para descobrir.
Cem mundos
para inventar.
Cem mundos
para sonhar.
A criança tem
cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separam a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e de não falar

de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na Páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir o mundo que já existe
e de cem
roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe: 

que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
o céu e a terra
a razão e o sonho
são coisas
que não estão juntas.
Dizem-lhe:
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrário, as cem existem.



Um abraço, equipe Agora sim!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Contando poemas, poesias e histórias

Sou quem sou, porque somos todos nós!



A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Florianópolis(2006), relatou um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.

Um antropólogo estudava os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.



Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Chamou então as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.



As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e

esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore

com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.



O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas

juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.



Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, senhor. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo,
e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou
jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós!”

Um abraço, equipe Agora sim!